quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Dia de Faxina


Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar alguns pensamentos indesejados fora Lavar alguns tesouros que andavam meio que enferrujados...
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões...
Papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei...
Joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não li... Olhei para meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: Paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste...
Mas, lá também havia outras coisas... e belas! Um passarinho cantando na minha janela Aquela lua cor de prata, o pôr-do-sol... Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças... Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas.
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso, e também joguei fora no mesmo instante! Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que farei com elas, se as esqueço lá mesmo ou se mando para o lixão.
Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: O amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos...
Como foi bom relembrar tudo aquilo! Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as a mostra, para não perdê-las de vista. Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar e de recomeçar!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Que teimosia

Que teimosia a nossa, a de acreditar que podemos ser felizes sempre... Mesmo quando a s coisas correm menos bem, teimamos em acreditar que amanhã será melhor, que vai passar e que nada daquilo nos pertence...
Que teimosia a nossa acreditar que a solução dos nossos problemas está num lugar qualquer e que existem sempre um motivo, que nunca somos nós, para todas as nossas crises.
Que teimosia a nossa acreditar que um dia quando precisarmos havemos de ter alguém que nos tire dessa dor, que nunca nos vai abandonar e que mesmo antes de nós explodirmos de raiva vai chegar perto de nós e vai ficar até nós não precisarmos mais, mesmo vendo-nos ser a criatura mais fraca deste mundo, mesmo depois de nos ouvir dizer que queremos desistir...
Que teimosia a nossa acreditar na paz que precisamos como sendo um poder que só os outros nos conseguem dar ...
E só mesmo depois de nos sentirmos pequeninos por dentro, depois de as lágrimas pararem de correr e descobrirmos que afinal explodimos sozinhos, que chorarmos e que não tivemos ninguém para nos segurar na mão, que afinal estamos desfeitos com uma dor que não nos larga e sem a certeza que a tempestade já passou e que mais ninguém nos vai conseguir voltar a fazer sentir assim, descobrimos que do outro lado estava alguém disposto a ajudar que nunca soube sequer que um dia dos nossos olhos saíram lágrimas que não fossem de alegria...
Que teimosia a nossa a de acreditar que temos connosco as pessoas certas, quando do que todos nós precisamos é temo-nos a nós mesmos ...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O começo do fim

Todo fim tem um começo.

Este começo não é sempre o começo lá no comecinho mesmo, mas um começo que se dá bem depois de começado. É o começo do fim.

O fim, por sua vez, é único, exclusivo. E se separa dos começos pelos meios, ou pelos “entremeios”. Entretanto, o que seriam estes entremeios?

Dependendo do ponto de vista, este entremeio nada pode ser senão mais um começo do fim...

A retomada é um começo, a mudança, a reviravolta, a estratégia nova, até mesmo a apatia. Se a “história” não acabou, se não chegamos a um fim... É ainda começo.

Outro começo, um novo começo, o mesmo começo de sempre...Um recomeço, sempre... O que realmente importa saber é que finis origine dependet (1) é o único saber que importa.

O começo de toda história é diverso e inúmero... É mutante. O que permite à história, e ao fim, um constante refazer-se.

Assim, a re-tomada é, por princípio, um re-começo, isto é, toda história que não tem um fim pronto, determinado, existente, tem vários começos e está em constante re-fazer-se; recomeçando sempre... Até que se chegue ao fim.

Por outro lado, toda história que já possui um fim, ou tem “tal” fim por objetivo, não deveria ter outro começo senão: “O fim começa assim”.